Animes e mangás de samurai que estou acompanhando

sábado, agosto 17, 2013

Como acho que alguns já devem saber, até por conversar comigo e do meu blog antigo, eu admiro profundamente o Japão Feudal e de longe meu guerreiro histórico favorito é o samurai. Não é pela kataná (aquela espada longa, de fio só de um lado, com lamina levemente curvada), mas sim por todo o conceito por trás do samurai. Bushidô, honra, fidelidade ao seu senhor... Claro que pensar nisso ao pé dá letra soa bastante romântico, afinal existem filhos da puta em todos os lugares do mundo, quem dirá no Japão onde rolou vários conflitos históricos com muita frequência por tomada de território... Mas sou uma garota romântica que sonha com os conceitos desses guerreiros ao pé da letra, então me deem um tempo.

Sem dúvidas, foram os animes e o jogos com essa temática que me fizeram ir atrás de fazer uma leve pesquisa histórica, de fachada, na Wikipédia Americana. Tive chance de ler alguns livros como o Hagakure (que pretendo comprar), Livro dos Cinco Anéis (que tenho, e está emprestado), mas quero ter mais coisas para meu acervo. Adoro a temática e gosto de pesquisar sobre.

Voltando para o assunto de animes, tenho acompanhado recentemente Gifuu Doudou: Kanetsugu to Keiji, Lobo Solitário e Vagabond. Muito mais Vagabond, com bastante fervor, porque o Miyamoto Musashi é o meu samurai favorito de todos os tempos. Abaixo vou contar sobre o que me levou a assistir cada uma dessas séries e o que acho delas.

Avisando logo: as vezes eu solto alguns spoilers, inconscientemente até. Se não curte, melhor nem ler.

Gifuu Doudou: Kanetsugu to Keiji


É meio complicado fazer uma sinopse dessa série, porque logo de cara você começa em uma festa/confraternização com o Keiji tacando um machado na casa de um damiyo que havia acabado de construí-la, e o Kanetsugu acaba salvando a pele do amigo (e explicando porque o Keiji fez isso). Então, no maior estilo "mesa de bar", os primeiros episódios são dedicados as memórias dos dois amigos de como eles se conheceram e as batalhas que travaram juntos.

Maeda Keiji e Naoe Kanetsugu até onde posso afirmar das minhas pesquisas, realmente tinha um vinculo de amizade historicamente. Como é explicado dentro da própria série, Keiji era para ser o próximo sucessor do clã que domina a área de Kaga, mas Nobunaga interferiu decidindo que seu tio Toshiie assumisse em seu lugar. Então ele resolve cortar parte do seu vinculo com o clã e se tornar um boêmio, vivendo a vida feliz e em paz em Kyoto. No anime, ele se encontra na primeira vez com o Kanetsugu na história do Inuriachi infeliz, onde ele decide tentar assassina-lo antes que o Keiji interfira no fights das muler, mas acaba desistindo percebendo que ele realmente parecia ter nada a ver com a história.

Falando da história e o ritmo do anime em si, não é muito lento, mas também não é rápido. Ele tem o ritmo necessário para uma narrativa adaptada de um mangá (embora eu não tenha lido o mangá antes para comparar), e você se sente como se um amigo estivesse te contando uma história de feitos extraordinários enquanto assiste por conta dos flashbacks dos dois.

Como dei a ideia, não li o mangá antes para comparar a fidelidade do anime, mas uma rápida folheada foi o suficiente para ver que pequenos e míseros detalhes eram diferentes. Falando em traço, no mangá é explicito que o Hara Tetsuo fez a arte (ainda mais para mim que li Hokuto no Ken e quero ler Sanctuary), talvez por causa disso acabei achando bastantes semelhanças com Hokuto. Não só a arte no caso, mas a temática em si. Enquanto Hokuto falava muito de amor, aqui se fala muito de honra. Honradez é uma palavra que você ouvirá com frequência, junto com vários exemplos dela durante a série. E quanto ao método de punir ou conseguir as coisas: lábia. Não é como a extrema violência do Kenshiro motherfucker assassino, ai de você se for um vilão porque ele não terá piedade e irá devorar seu anus, mas de qualquer maneira é algo semelhante. Sempre haverá um plano e um jogo de lógica para tentar fuder alguém em meio as batalhas, é ai então que podemos ver o Kanetsugu brilhar, mostrando o porque dele ser um dos melhores estrategistas de Echigo.

Não é tão "manly" quanto Hokuto por ser mais focado em lógica e nas histórias de honradez, mas olha, chega perto. E vale a pena. Outra coisa: se tivesse conhecido esse mangá antes de Hokuto, com certeza teria lido ele primeiro, you know, I like this kind of thing more. Expectativas para os próximos episódios? Que continue esse ritmo, porque está interessante e divertido de acompanhar. E sim, lerei o mangá. E ele é muito recente, de 2010. Com certeza vou acompanhar essa série.

Ah, a abertura é muito daora (queria pegar o video e por aqui, mas ninguém upou no youtube).

Lobo Solitário


É sobre um habilidoso ronin e seu filho rondando o país com sua dotanuki, umas lanças e um carinho de bebê que usa para transportar o filho. No estandarte que carrega, lê-se "Espada de aluguel, filho de aluguel". Filho de aluguel por que aos poucos o menino também está aprendendo a se tornar um assassino. E tem muito drama nessa história, regada com um pouco de artes marciais e várias conspirações rolando. E sim, é um clássico japonês dos anos 70 de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Além de ser clássico, é umas das obras com a temática que segue as circunstâncias do período mais a risca.

Itto Ogami, o ronin em questão, era um executor do Shogun. Ao contrário das outras obras apresentadas aqui (Gifuu Doudou pega o final do período Azuchi e toda a extensão do Momoyama da Era Sengoku, enquanto Vagabond se situa no final do período Momoyama e o começo do Shogunato Tokugawa) essa se passa exclusivamente no período do Shogunato Tokugawa. O trabalho dele consistia em ajudar no sepukku de damiyos que ou se rebelaram e foram pegos, ou foram ordenados a cometerem esse suicídio pelo governo por algum motivo. Como você usa uma espada para rasgar o intestino, isso causa uma dor inimaginável, um executor te ajuda a ela ser "instantânea" cortando a sua cabeça fora depois do ato. Porém, o clã Yagyu que também servia ao Shogun e o qual Itto era vassalo, faz uma emboscada para aniquilar os Ogamis e tomar o cargo de executor para si (Cargo importante, lembre-se bem. Você nota a moral que o Lobo Solitário ganha quando cita as pessoas que ele era o executor do shogun). Graças a essa embosca, Itto perdeu a esposa que foi assassinada e o governo ordenou que ele cometesse sepukku e seu filho fosse morto. Jurando vingança, ele se rebela contra seus senhores e passa a viver uma vida de ronin, onde seu objeto é passar pelo meifumadō (O caminho do inferno budista) para conseguir chegar ao nível que ele julga o ideal para realizar a sua ambição de vingança.

Essa história que eu resumi ai em cima você não vai encontrar logo de cara, porque o formato das histórias é aleatório, não linear. São vários contos separados em capítulos que não seguem uma narrativa linear e as vezes algumas histórias tem uma continuação, mas na maioria das vezes são histórias sem conexão em si. A arte é aquela clássica japonesa, nem um pouco semelhante ao "padrão" de hoje em dia que são os olhos enormes e tal, ela é mais realista. Tanto que o autor tem o cuidado de manter a anatomia "comum" do ser humano, Itto sem roupa parece uma pessoa normal, que passou a vida trabalhando, mas sem músculos exagerados, e com pelos na parte do abdômen às vezes lembrando o Wolverine. Não sei dizer de qual o período essa arte vem, afinal a história do traço japonês tem anos de existência e por preguiça ainda não fiz uma pesquisa completa, mas o ela é bem característica da década de 70, e limpa nos traços por consequência.

O mangá é bem cruel na parte onde mostrar como a realidade é frustante e triste. Por mais que Gifuu Doudou e Vagabond que cito neste post também sejam seinen, e por consequência com temáticas mais maduras, eles ainda dão mais brechas para esperança que aqui. O filho do lobo, Daigoro, que é um garotinho de 3 anos, já empunha uma espada como adulto, semelhante ao pai. Itto fala com Daigoro como se ele fosse um adulto e o menino além de entender perfeitamente, cumpre as ordens e também compreende com clareza a situação em que está. Mais do que isso, ele ajuda o pai nas missões algumas vezes, seja servindo como isca ou ajudando de outra maneira. Pelos olhos inocentes do Daigoro visualizamos a podridão dos seres humanos. Jogos de poder, ambição, traição e desonra são temáticas recorrentes na trama também.

Lobo Solitário é um mangá de samurai que te cativa mais pelo drama do que pelas lutas. As lutas são rápidas e não muito detalhadas, mas você nota o poder de Itto por elas. Ele é um estrategista genial e guerreiro imbatível, sai invicto na maioria das lutas as quais se mete. De qualquer maneira, é uma leitura clássica recomendada, a qual tive que dropar por um tempo por estar pegando esses mangás emprestados para ler dos amigos e ter ficado com muita coisa para acompanhar ao mesmo tempo, mas pretendo voltar assim que alcançar as publicações recentes do Vagabond. Estou com muita coisa pendente mesmo. :/

A versão que estou lendo é em português da Panini, tem uma gigantesca nota com os nomes usados no mangá que é bastante interessante. Vale lembrar que apesar de o clã Yagyu e o clã Ogami terem existido e que realmente rolou uma treta histórica entre eles, essa historia é puramente ficcional.

Vagabond


Deixei o melhor por ultimo. O melhor para mim, no caso. Não que os outros não fossem tão bons quanto Vagabond, mas é porque eu realmente adoro o Musashi sensei. Assim como as outras, tem base na realidade histórica, mas não é cem por cento fiel. A inspiração que o Takehito Inoue pegou para escrever foi do livro que conta a história de Musashi, porém o livro esta mais para um romance que um retrato fiel histórico em si (quero ler o livro para comparar, imo). E sim, Musashi existiu para quem não sabe muito sobre o assunto.

It's all about Musashi, ou melhor, Shimem Takezo. A história se foca no Musashi na maioria das vezes, mas não impede que os personagens secundários mostrem suas próprias preocupações e louças para lavar. Isso é mais notável quando o Sasaki Kojiro, que é um espadachim surdo aparece na história. Apesar de ter alguns encontros marcantes com o Musashi e ser seu rival, longe dele ele faz o que bem entende e brilha por si só. Aliás, Kojiro é mais adorável que o Musashi, que é um rabugento.

A obra mostra bem o Musashi por dentro, suas ambições, sua imaturidade, seus medos e traumas, assim como seu problema em lidar com as pessoas. Otsu e o Monge Takuan são dois personagens que acabam mostrando-lhe que existe uma luz no fim do poço, mas longe deles ele tenta se focar em se aprimorar no caminho da espada, coisa que ele acaba fazendo na maioria das vezes da maneira mais louca possível, pois pensa que vencer um duelo é sinônimo de sempre assassinar o oponente. É como eu li por ai (acho que foi no TV Troops) sobre esse aspecto do Musashi, parece um cara no velho oeste selvagem em busca de confusão para chamar atenção, só que na versão samurai. Conforme amadurece e vai passando por dificuldades, ele vai aprendendo como a vida é de verdade, a ter esperança e se perdoar.
E ele cata essa mina...
As lutas são extremamente detalhadas. Vai haver mais de 6 capítulos para certas lutas, até porque o autor se foca em tanto mostrar detalhes das artes marciais como o psicológico dos oponentes. Com muita frequência vamos ler o que eles estão pensando das lutas nos quadros, além de situações que ocorrem só na cabeça deles durante os duelos. Isso tudo pode ser um saco de ler, mas a arte que é belíssima ajuda. Tanto o cenários como os personagens e a anatomia são muito bem desenhados. Tudo aqui é lindo, até mesmo o drama da história. O ritmo da narrativa é lenta, mas não por o autor tentar passar tudo com riqueza de detalhes, é mais por ele focar devidamente na história como se deve. As vezes até mais do que deveria, fazendo algumas repetições.

Estou lendo em português, a edição antiga da Conrad emprestado dos mesmos amigos que me emprestam Lobo Solitário, mas priorizei me atualizar com essa obra logo. Ouvi dizer que está perto de acabar no Japão e rolou um longo hiato de anos por conta do Inoue ter desanimado para desenhar (e segunda uma entrevista que li, ele é do tipo que desenha "I feels like"), ou foi por conta de uma doença que ele teve. De qualquer maneira, achei fenomenal esse mangá, e quero chegar logo nos últimos capítulos (Ansiosa, eu já spoilei da internet, logico!). Pretendo coleciona-lo, já que a Conrad agora que passou dos tempos de crise está lançando os tankobons em português. Agora preciso de um emprego para isso. ;-;


Para encerar, fiz um perfil no MyAnimeList, mas estou tentando achar a coragem e lembrar dos 36546122468 animes (Grande maioria shoujo. Não me culpem por ser "menina"), que já assisti, terminei e dropei. Quando estiver tudo lá bonitinho, divulgo o meu link para geral me adicionar. Aliás, também estou assistindo Shingeki no Kyogin, mas tenho muitos complicateds feelings sobre ele, vou comentar numa próxima oportunidade.

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