[Texto] Metamorphoses

quinta-feira, abril 13, 2017

Sei que tem sido bem complicado ultimamente para postar aqui no blog (estamos fazendo quase um ano sem postagens novas)... Acontece que quando eu tinha tempo acabei me ocupando com outras coisas e neste meio tempo fiquei sem computador e sem celular, que eram as ferramentas que tinha para blogar e me manter atualizada nas redes sociais... Ainda estou tentando retomar o ritmo da minha vida pessoal e nesse meio tempo terminar de preparar o conteúdo que separei pro blog (neste primeiro momento alguns textos e resenhas de produtos), mas espero em breve voltar a postar ao menos uma vez por mês. Enquanto esperamos, republico hoje um texto que foi publicado originalmente em um dos meus blogs antigos.

DISCLAIMER!!: Só para retirar as dúvidas, escrevi esse texto assim que terminei de ler A Metamorfose do Kafka. Eu era muito fã de Kafka na minha adolescência, e até hoje gosto dele.

  Como será que Gregório se sentiu ao descobrir que se transformou em um inseto? Pouco a pouco, as pessoas iam afastando-se dele. Repugno, um dia homem e no outro dia monstro. Depender da caridade de uma pessoa que ia lhe entregar comida, e no fim a abandona. Morte... Um dia pude ver a luz do sol, no outro tenho que me esconder das pessoas por ser um monstro.

Quem amaria um monstro? Quem cuidaria de um monstro? Quem gostaria de levar um fardo pesado nas suas costas pelo o resto da vida? Gregório sabia disso, e por isso viveu até o ultimo suspiro sabendo que estava sozinho.

Não, não foi falta de vontade de lutar. Gregório sabia que teria que se levantar, pegar o trem, dar contas ao patrão. Gregório vivia a estudar, ler, e cuidar da sua família. Seu salário era para pagar as dividas de seus pais. Gregório não era boêmio, não se divertia. A unica coisa que ele tinha em mente era trabalhar, trabalhar, trabalhar e estudar para sustentar a família que o amava.

Mas quem amaria um homem besouro? Quem amaria um monstro que sem poder se levantar ou ir trabalhar poderia sustentar a família que tanto amava? Os pais diziam que o entendia, mas no final o abandonaram. Sua irmã ainda por caridade lhe oferecia pratos de comida, mas até esta o abandonou. Sem seus braços e pernas era inútil. Era ninguém.

Gregório foi definhando até morrer. Não podia ficar em pé, se mexer doía. Não adaptou-se a seu novo corpo e não sabia para onde ir. A sociedade não o aceitaria. Gregório, aquele que tanto trabalhou para o bem dos outros quando virou monstro encontrou a solidão. A esperança, a luz, tudo o que ele poderia fazer e tudo que ele podia ter feito... Agora perto da morte, uma coisa só lhe restava: a ingratidão da família e a solidão.

Pobre Gregório... Quem seria capaz de amar e cuidar de um inseto? Quem seria capas de pensar sobre todo o bem que ele fez pelo os outros, o esforço que fez pela a familia e por si mesmo? Inútil, sozinho e sem nem poder fazer suas necessidades básicas, trancafiado em um quarto, com muito medo de sair lá fora. O mundo iria julga-ló como bizarro, e ele sofreria mais maus tratos do que sozinho dentro de um quarto.

Então sentimentos, palavras, ações... Nada mais fazia sentindo. Gregório, um homem bom ontem, e um monstro hoje. Tudo o que lhe restou era a morte.

Então, se eu pudesse conversar com Gregório Samsa, será que eu me entenderia com ele? Estranho... Temos tantas coisas em comum...

(Escrito e publicado originalmente em 2011)

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