[Filme] Mulher Maravilha 2017

sábado, outubro 21, 2017

Olá a todos! Como o pessoal que me segue a mais tempo bem sabe, de vez em quando faço analises e resenhas de mídias como seriados, filmes e jogos. O problema é que não sou tão leiga no assunto quanto uma pessoa que trabalha na area ou costuma fazer isso (Cito as analises do blog do Creissonino, porque apesar de ele trabalhar na area já faz isso há muito tempo antes e o tom acidez dele é o que deixa o texto mais interessante). Então essa é uma das tentativas que vou fazer para falar de filmes, me baseando muito nos truques do TV Troopes, que ajudam bastante a identificar certas coisas. Outro lugar que vou usar também de vez em quando é os videos do CinemaSins.

Contém spoilers!!

Não assisti o filme nos cinemas apesar de todo o hype que a Warner fez em cima dele. O que me levou a procurar-lo para assistir na verdade foi o fato de que como anunciei lá na página do blog, eu fiz uma palestra sobre como gênero era abordado nas HQs e cinema, abordando super heroinas como a Mulher Maravilha. Como sabemos, ela surgiu nos anos 30 em plena II Guerra, sendo um simbolo da mulher ideal norte americana, mostrando como poderiamos vencer a violência a partir do amor e da beleza. O que é irônico, porque americana ela originalmente não é. Fora isso, a vida inteira desde o surgimento ela sempre foi sexualizada, apesar de em termos de força ela estar a par do Superman. Tudo isso junto sempre me afastou dela, porque ela é chata e sem graça desde seu conceito.

A Warner, proprietária da DC Comics, está tentando imitar o sucesso que a Marvel faz com seus filmes nos cinemas, criando um universo exclusivo para os filmes. Não diria que a Marvel teve sucesso nisso: apesar de alguns filmes terem sido um sucesso como o Homem de Ferro 1 e 2 e o Capitão America o Soldado Invernal, a empresa tem dado muitas bolas foras com os filmes recentes. E a DC pior ainda: a maioria dos filmes tem uma qualidade mediana ou ruim mesmo. O maior exemplo que posso citar é o filme do Laterna Verde que foi um verdadeiro fracasso.

Eu não liguei muito para quando o filme foi anunciado ou a publicidade. Não acompanho HQs, não sou leiga no assunto e meu conhecimento nelas é basico para mediano. Porém é verdade que sempre preferi mais o lado da DC do que o da Marvel por gostar muito de uma boa parte dos vilões, principalmente os do Batman, além de gostar do próprio Batman. Então fiquei feliz com algumas coisas que descobri do filme depois como o fato dele ter sido dirigido por uma mulher (Patty Jenkins) e dos autores da DC terem revelado que a Mulher Maravilha é bissexual. O filme faz uma alusão disso quando Diana e Steve estão no barco conversando sobre casamento e sexo, ela sendo aquele tipo de pessoa que tinha uma noção do que era, mas nunca experimentou antes, falando que homens são necessários para reprodução, mas desnecessários para alcançar prazer. É sempre bom ver mulheres e LGBTQ conquistando espaços.

Deixando de pular etapas e voltando ao começo, o filme começa nos dias atuais com a empresa Wayne entregando um pacote a Diana, que trabalha no Louvre. Abrindo o pacote aparece uma foto bem antiga da Mulher Maravilha com mais 4 pessoas, foto a qual faz ela relembrar todo o passado. Conhecemos sua infância na ilha de Themyscira, onde era princessa filha da rainha Hippolyta. A rainha superprotetora não gostava da ideia de que a filha um dia seria uma amazona e tentava deixa-la o máximo possivel longe dos treinos. Além disso contava o menos possível de informação para ela, mas fracassava tanto pela natureza rebelde de Diana como pela ajuda de Antiope, a maior general das amazonas, que acreditava que ela deveria estar pronta para lutar e assumir seu destino. Nessa parte temos algumas coisas que chamam atenção como o treinamento das amazonas e a vestimenta delas, que vestem 75% do corpo, ao contrário da armadura da Mulher Maravilha como vou falar mais na frente. O fato de elas usarem armas do tempo da antiguidade acaba deixando-as vulneráveis para as armas de fogo que aparecem com os alemães quando invadem a ilha. Outra coisa positiva foi ver amazonas negras e de pele parda, o que se repete durante o filme com soldados negros e dois do sidekicks sendo um aparente indiano e outro indigêna. Esses pequenos detalhes tornam o filme um pouco mais realista, além de inclusivo.

O background da ilha é muito bonito, aparentando ser mesmo um paraiso perdido no meio do nada. Toda a fotografia do filme foi muito bem trabalhada, as cidades e os lugares devastados pela guerra são bem convincentes e bonitos. Porém tenho que chamar atenção pro fato que tanto a localização da ilha quanto da base germãnica que Steve estava antes de cair de avião é confusa geograficamente. Não digo isso por conta da cena em que ele está com a bussola e ela não funciona, mais porque isso se repete durante todo o filme. Tanto na hora que eles estão em Londres e de repente vão para o front onde estão as trincheiras, sabemos que é algum lugar da Europa, mas não advinhamos qual país.

Voltando de novo ao começo, com a cena de treinamento entre Diana e Antiope, ao passo que a segunda desarma a primeira Diana manifesta uma superforça que machuca sua tutora. Quando fazem seus curativos notam que suas feridas sararam. As outras amazonas ficam espantadas com a força e o fator de cura dela, e é ai que estranhei. Nas comics é dito que todas as amazonas tem poderes, não sendo a Mulher Maravilha excessão. Então avançamos para a queda de avião de Steve Trevor proximo a ilha e uma cena que se sucede a qual lembra muito A Pequena Sereia e parece que foi feita de proposito segundo o que li. Só não achei tão clichê a cena por conta do romance que era óbvio porque na expressão facial da Gal Godot ela demostra muita admiração e espanto na primeira vez que se depara com um homem na vida. A intepretação da atriz convenceu bastante.

Como citei anteriormente, na cena que se sucede de luta achei estranho ver as amazonas morrerem para balas e também que um numero pequeno de soldados invasores causou grande estrago. Após derretorem os invasores, Steve só salva mais o pescoço por conta de uma das amazonas que sugeriu interroga-lo do que o pedido de Diana, e gostei muito de ver um coadjuvante tomar um pequeno espaço na tela, mesmo que por um curto período. Depois do interrogatório, Diana fica convencida que seu destino é sair da ilha e derrotar Ares, por isso invade a torre onde os presentes de Zeus estavam guardados e tenta fugir da ilha com Steve, sendo descoberta por a rainha e as amazonas. O diálogo que se segue tem uma frase de muita relevância para o filme "Eles (os humanos) não merecem você". Porém a mãe acaba por aceitar o destino da filha e não impede que ela parta da ilha.

As cenas do barco são confusas demais. Primeiro porque como citei antes, não temos muita noção geografica de onde eles estão apesar de o destino ser Londres. E a impressão que o filme passa é que a viagem toda não importa tanto assim porque só temos uma cena de conversa no barco e logo em seguida eles chegam a cidade. Londres tem o visual esperado para época e a cena deles andando pelas ruas até chegar na central de inteligência britânica acabou me lembrando quando a Pocahontas chega em Londres no filme dela. Diana apresenta uma ingenuidade tipica de uma pessoa isolada conhecendo o mundo pela primeira vez, o que acaba deixando ela até bem fofa.

Os diálogos com Etta Candy, a assistente de Steve, são interessantes principalmente na alusão que Diana faz o trabalho dela com escravidão e também o tom de comédia nas cenas em que acontece a prova de roupas. Em seguida, quando são perseguidos por espiões alemães, vemos uma cena de luta bem interresante embora previsível, onde Diana tomando a dianteira. Nas cenas onde eles estão na inteligência britânica, vemos como ela começa o processo de aprender sobre o cinismo da raça humana quando questiona os soldados nas guerras sem seus generais tomando a frente. Toda a politicagem ali e a presença indesejável de uma mulher, afinal segundo a referência que Etta Candy nós dá, as mulheres ainda estavam lutando pelo direito ao voto naquele ano em que se passa o filme.

Aqui faço outra pausa para falar que o filme se diverge da história original da HQ por se passar na I Guerra e não na II, quando históricamente aconteceu a era de ouro dos quadrinhos e a personagem surgiu. Não entendi direito o porque da decisão, mas até entendo não querer mais um filme se passando na guerra contra os nazistas. Durante o filme é citado várias vezes que as decisões tomadas nessa guerra seriam catastróficas o suficiente para causar uma guerrar em maior escala, embora Steve descreva para Diana que essa era a "guerra das guerras". Como conclusão, a Mulher Maravilha viria anos mais tarde presenciar o nascimento do nazismo, mas o que ela fez durante esse período de tempo não é citado durante o filme e nem no epilogo. Diana é imortal e não envelhece, ela provavelmente viu seus companheiros de guerra morrer.

Apesar de impressionar os generais e comandantes com seu dom de plurilinguagem ao ler o bloco de notas da Dra. Poison, Diana, muito menos Steve, conseguem convence-los. Mesmo com a falta de apoio por parte do exercito britânico, Steve determina-se a levar Diana ao front de batalha e para isso recruta Sameer (o ator indiano) e Charlie (sniper com problemas psicológicos causados pela guerra). Com o dinheiro a benção de Sir Patrick Morgan (superior de Steve), eles chegam ao campo de batalha onde encontra o Chefe, um indigena que ao ter sua tribo dizimada pelo colonizadores resolveu viver como um dweller, já que não tem um lar pra voltar e tudo o que ele podia fazer é aceitar a situação. Esta cena gera um dialogo interessante, onde mostra racismo, a crueldade da guerra e a ambição do homem.

Em seguida temos o primeiro contato com o campo de batalha da amazona, onde ela encontra fugitivos, refugiados, soldados feridos, cenários destruidos e todos os problemas consequentes de uma guerra, fazendo-a horrorizar-se da situação. Depois de encontrar uma mãe com uma criança no colo e falar com Steve que eles deveriam fazer algo e o mesmo dizer que não havia nada que eles podessem fazer, ela se arrisca e vai para a frente. Toda aquela coisa que esperamos que a Mulher Maravilha faça acontece, ela desvia das balas com os braceletes e o escudo, e acaba se tornando uma distração para que os demais soldados avacem. As cenas de batalha são boas, mas elas tem um defeitinho: slow motion. Não tanto quanto em filmes como 300, mas está ali em 50% das cenas. Isso porque esse filme tem um roteiro do Zack Snyder e ele só sabe fazer filme em slow motion...

Ao conseguir reconquistar a cidade e salvar os cidadãos, todos comemoram a vitória. Tem bastante simbolismo nessa parte, tanto no fato de ser uma mulher a primeira a pisar na No Man's Land quanto na nevasca que começa enquanto Diana e Steve dançam, abrindo a brecha para uma possível transa que acontece entre os dois, que por não ser exposta no filme me agradou bastante. Em seguida segue as cenas as quais o grupo tenta se infiltrar no baile de galã alemão que foram bem previsíveis, apesar de ser bem absurdo ver Diana levando uma espada basicamente visível nas costas.

Antes de falar da conclusão do baile, queria falar dos personagens General Ludendorff e Dra Poison. Achei eles presíveis e típicos vilões genéricos, sem muita empolgação em torno deles mesmo quando a Dra desenvolve um gás que deixa o general indestrutível e forte. Apesar disso, a mulher é bem trabalhada em sua frieza, ambição e devoção ao trabalho, porém mal aproveitada pelo tempo que passa na tela. A amizade entre os dois é inquestionável e até estranha pelo quão bem se dão juntos. Mas o problema é que o filme joga as cenas dos dois de uma hora para outra, sem fazer conexão muitas vezes com o plot dos heróis.

Voltando ao baile, Diana chama atenção o suficiente para que o General queira dançar com ela, e o diálogo que se segue dá a entender que Ares, o deus da guerra e responsavel por corromper os alemães em sua cabeça, seria ele. Diana recusa seu descurso e quando vai tentar mata-lo é impedida por Steve. Ela tem uma crise de raiva e corre para fora do castelo seguida por Steve, presenciando o desparo do canhão de gás lançado experimentalmente em direção a vila que ela tinha posteriomente salvado. Como resultado ela perde um pouco da fé que tinha na humanidade. Steve tenta conforta-la sem sucesso e entramos nas sequências finais do filme.

A Mulher Maravilha parte sozinha para a base alemã convencida de que Ludendorff é Ares, determinada a mata-lo para acabar com a guerra. Os demais a seguem pela oportunidade que ela da por chamar atenção demais e ser indestrutível. O confronto dela com o General é previsível. Apesar do gás indestrutível, ele não era páreo para ela. Diana atravessa a espada no cara, mas mesmo assim as pessoas não param de lutar como o esperado. Pelo contrário, os alemãos estavam se preparando para lançar um avião cheio de gás no continente. Confusa, Sr. Patrick faz uma aparição repetina e começa um discurso que acaba por revela-lo como Ares. Ele tenta convencer Diana que a culpa dos humanos lutarem não é dele, mas sim da natureza humana, que é cheia de ambição e egoísmo. Tudo o que ele fez foi dar ideias de estratégias e armas a eles. Ele esteve manipulando Dra Poison e o General basicamente. Eles diz essas coisas enquanto esta preso pelo laço da verdade e ainda a oferece para juntos dizimarem a raça humana e retornarem o mundo o paraiso de antes. Aqui descobrimos que a espada God Killer, que não citei no texto porque apesar da importância que a deram no começo ser grande, só é mais uma espada e não servia para nada. A verdadeira "God Killer" é Diana. Ares lhe revela que ela é filha de Zeus e Hippolyta, sendo uma semi deusa bem estilo Hercules. A partir disso começa o confronto final do filme no qual Ares no começo asume uma postura mais defensiva para depois atacar com todos os seus poderes.

Sucede-se então a cena em que Steve se dispede de Diana porque para parar o avião alemão ele decidiu sacrificar-se. A cena fica sem som e é bem previsível tudo o que acontece ali, até o tempo que nosso herói demora para atirar na nave. Ao ver o homem que amava morrer, Diana entra em fúria, mata vários soldados enquanto Ares se anima ao perceber que sua meia irmã parece ter aceitado seus argumentos. Quando está prestes a jogar um tanque na Dra Poison, nossa heroina tem um flashback da cena de adeus a Steve, lembrando que não são todos os humanos que são fdps. Ela recupera a razão e acaba por poupar a Dra Poison. Apesar de apanhar, nossa heroina aos poucos vai desenvolvendo seus poderes divinos. Com uma rajada de raios, derrota seu meio irmão. Essa forma como ela derrota Ares não me agradou muito, para mim descaracterizou bastante o tipo de combate que a Mulher Maravilha está acostumada a usar.

Encerrando o filme temos Diana em Londres com seus amigos de guerra sobreviventes comemorando o fim da guerra. Em seguida voltamos a comteporaneidade, com ela enviando um email para Bruce Wayne e vestindo sua roupa de combate pronta para agir.

No geral gostei muito do filme. Apesar de ser um filme de ação, ele foi muito sutil nos detalhes, o que o deixou bem agradável de ser assistido. Senti falta de cenas de gore, mas por outro lado senti que apesar de esconderem todo o sangue e deformação que o gás causa as suas vítimas, a narrativa se deu bem sem esses elementos. Deve ser porque a Warner provavelmente queria uma classificação bem baixa para o filme, aqui no Brasil de 12 anos.

Agora sobre toda a "polêmica" (que não devia ser, por isso as aspas) do filme ser feminista: no começo achava que o filme não tinha nada de feminista. Primeiro por conta do fanservice da roupa da Mulher Maravilha, sendo anormal uma mulher com 60% do corpo exposto não levar uma bala, e também das amazonas com microsaia, além daquilo do sex symbol. Porém me surpreendi ao ver filme abordar sutilmente termos como casamento, sexo, trabalho e direitos civis. Não é o ideal e nem o suficiente para o filme ser nominado feminista ou promover uma reflexão no público, mas pelo menos ele pois um pezinho nesses assuntos sem tratar com estigmas ruins ou desmerece-los. Por isso o filme acabou me impressionando quando não esperava nada dele.
No final foi com essa impressão que fiquei dos filmes da DC Comics. Shame on you, Warner...

Nota: 4/5

Enfim pessoal, gostaria muito de ouvir um feedback de vocês sobre minhas análises e de também pedir que vocês divulgassem o blog compartilhando nas suas redes sociais, e me seguindo nelas. =)

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2 comentários

  1. Gostei bastante do filme e os comentarios e observações que você fez foram muito bons, eu não havia me atentado para muitas questões e observações do filme até você falar aqui. Particularmente eu não curti os vilões, tanto Ares quanto o general (e normalmente os vilões são o que mais me anima nas histórias) a Dra. Poison porem se mostrou uma personagem que eu gostei bastante. Ares poderia ter sido melhor explorado e quanto ao general se estavam tentando passar a ideia de que ele era o deus da guerra fizeram isso muito mal porque para mim ficou na cara desde o começo que ele não era (porque um deus iria precisar de uma porção para ficar forte?!). O final me desagradou pois deu a entender que a guerra só acontecia devido a influencia de Ares o que me parece uma explicação muito ingenua. A derrota do vilão faz com que todos simplesmente parem de lutar... teria sido muito mais interessante se a guerra continuasse e Diana percebesse como a humanidade era cruel, sem porem perder a esperança nas pessoas e continuar desejando lutar para protege-los.

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    Respostas
    1. Concordo contigo nesse aspecto dos vilões Lucas. Quando eu estava dando uma lida para escrever o post e esqueci de citar nele, o ator que fazia Ares tinha sido anunciado antes dos trailers do filme (David Thewlis, o professor Lupin do Harry Potter). Então a surpresa foi na verdade descobrir que ele fazia outro personagem dentro do filme pra esconder a identidade real lol

      Enfim, vamos esperar pra ver como vai sair o proximo filme, que o Liga da Justiça. Descobri que o segredo é não hyper o filme, então não criar expectativas é o melhor.

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